Marketplaces e a nova responsabilidade solidária: o Mercado Livre e a Amazon vão reter seus impostos?

Marketplaces e a nova responsabilidade solidária: o Mercado Livre e a Amazon vão reter seus impostos?

A responsabilidade solidária é um dos conceitos que passaram a dominar as discussões sobre a tributação nos marketplaces após a aprovação da reforma tributária, levantando uma dúvida central:

Plataformas como o Mercado Livre e a Amazon vão reter impostos dos vendedores?

A resposta não é simples, mas envolve mudanças profundas na forma como o fisco passa a enxergar as plataformas digitais a partir de 2026.

Neste artigo completo da Qualic Contabilidade, vamos explicar em detalhes o que muda com a aprovação da Lei Complementar nº 214/2025, incluindo como vai funcionar a nova responsabilidade solidária das plataformas de marketplace. Vale a pena conferir!

O avanço da tributação sobre marketplaces na reforma tributária

A reforma tributária brasileira não se limita à simplificação de impostos. Na prática, um de seus pilares é o aumento do controle fiscal sobre operações digitais, especialmente aquelas intermediadas por plataformas que concentram pagamento, logística e regras comerciais.

Nos últimos anos, o crescimento acelerado do e-commerce e dos marketplaces trouxe um desafio claro para o fisco:
milhares de vendedores operando, muitos deles sem emissão de nota fiscal, com recolhimento incorreto de ICMS ou até mesmo na informalidade total.

Diante disso, a reforma tributária passou a tratar as plataformas digitais não apenas como intermediárias tecnológicas, mas como atores relevantes na cadeia econômica, capazes de colaborar com a arrecadação e fiscalização.

Esse movimento se consolida com a criação da responsabilidade solidária das plataformas, prevista na Lei Complementar 214/2025.

Responsabilidade solidária: o que diz a Lei Complementar 214/2025

A Lei Complementar nº 214/2025 instituiu as regras gerais do novo sistema tributário sobre o consumo, criando o chamado IVA Dual, composto por:

  • CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços): Tributo de competência federal. 
  • IBS (Imposto sobre Bens e Serviços): Tributo de competência compartilhada entre estados e municípios.

Dentro desse novo modelo, a lei criou uma regra específica para plataformas digitais: elas passam a ser responsáveis solidárias pelo pagamento dos tributos, caso o fornecedor não registre a operação em documento fiscal eletrônico.

Isso significa que a plataforma não substitui o vendedor como contribuinte, mas pode ser cobrada pelo imposto se o vendedor não cumprir suas obrigações fiscais.

É uma mudança relevante, pois transfere parte do risco tributário para quem intermedia a venda.

Importante: a responsabilidade solidária não vale para todos os tributo

Um ponto essencial para evitar confusões é entender que essa nova responsabilidade solidária:

  • Não se aplica ao ICMS atual, como ele é cobrado hoje 
  • Não altera imediatamente as regras vigentes 
  • É válida apenas para os novos tributos do IVA Dual

Ou seja, ICMS, ISS, PIS e COFINS continuam seguindo as regras atuais durante o período de transição.

A responsabilidade solidária passa a fazer parte do novo sistema tributário, que começa a ser testado em 2026, com implementação gradual nos anos seguintes.

O que significa responsabilidade solidária na prática

No Direito Tributário, responsabilidade solidária significa que:

  • O Fisco pode cobrar o imposto de qualquer um dos responsáveis 
  • Não há ordem obrigatória de cobrança 
  • Se um não pagar, o outro pode ser acionado

Aplicando isso aos marketplaces, a lógica é a seguinte:

  • O vendedor continua sendo o principal responsável pelo imposto 
  • Se ele não emitir a nota fiscal eletrônica, a plataforma pode ser responsabilizada 
  • O Fisco poderá cobrar o imposto diretamente da plataforma

Isso cria um incentivo claro para que as plataformas controlem rigorosamente o cumprimento das obrigações fiscais pelos vendedores.

Responsabilidade solidária: Mercado Livre e Amazon vão reter os impostos automaticamente?

Essa é a principal dúvida dos vendedores, e a resposta correta é: a lei não determina retenção automática, mas o comportamento das plataformas pode levar a isso na prática.

Pelo texto da LC 214/2025:

  • A responsabilidade da plataforma surge apenas se o vendedor não registrar a operação em documento fiscal eletrônico 
  • Se a venda estiver corretamente documentada, a responsabilidade continua sendo do vendedor

No entanto, do ponto de vista operacional e jurídico, é muito provável que plataformas como Mercado Livre e Amazon adotem medidas preventivas, como:

  • Exigir nota fiscal em 100% das vendas 
  • Bloquear anúncios sem vinculação fiscal 
  • Suspender vendedores irregulares 
  • Condicionar repasses à comprovação fiscal 
  • Em alguns modelos, reter tributos preventivamente

Portanto, mesmo que a retenção não seja uma obrigação legal direta, ela pode se tornar uma estratégia de proteção das plataformas.

Quais plataformas serão alcançadas pela responsabilidade solidária?

A Lei Complementar 214/2025 foi propositalmente ampla. A responsabilidade solidária não se aplica apenas a marketplaces tradicionais.

A regra alcança qualquer plataforma digital que controle:

  • Cobrança 
  • Pagamento 
  • Entrega 
  • Definição de termos e condições da operação

Isso inclui, por exemplo:

  • Marketplaces de produtos: Mercado Livre, Amazon, Shopee, Magalu 
  • Plataformas de delivery: iFood, Rappi 
  • Aplicativos de transporte: Uber, 99 
  • Plataformas de intermediação de serviços

Ou seja, o conceito vai muito além do e-commerce e atinge grande parte da economia digital.

O impacto direto para vendedores de marketplaces

Para quem vende em marketplaces, a nova responsabilidade solidária representa o fim da tolerância com a informalidade.

Os principais impactos práticos incluem:

  • Exigência rigorosa de emissão de nota fiscal 
  • Maior fiscalização interna das plataformas 
  • Possível bloqueio de vendedores pessoa física 
  • Integração entre vendas e documentos fiscais 
  • Redução do espaço para erros ou omissões

Vendedores que hoje operam sem contabilidade estruturada tendem a enfrentar dificuldades para continuar vendendo.

Vendedores pessoa física serão os mais impactados

Um dos grupos mais afetados pela nova regra são os vendedores pessoa física.

Isso porque:

  • Pessoa física não emite nota fiscal de venda de mercadorias 
  • Não possui inscrição estadual 
  • Não consegue atender às exigências fiscais do marketplace

Com a responsabilidade solidária, a tendência é que:

  • Marketplaces restrinjam vendas de pessoa física 
  • A abertura de CNPJ deixe de ser opcional 
  • Apenas vendedores formalizados consigam operar com estabilidade

Na prática, a reforma tributária acelera um movimento que já vinha acontecendo: a profissionalização forçada do e-commerce.

A relação entre responsabilidade solidária e ICMS

Embora a nova responsabilidade solidária esteja ligada ao IVA Dual, o debate sobre marketplaces sempre esteve conectado ao ICMS.

Historicamente, os Estados enfrentam dificuldade para:

  • Identificar o vendedor real 
  • Controlar a origem das mercadorias 
  • Garantir o recolhimento correto do ICMS

Com o novo modelo, o controle tende a ser mais centralizado, pois:

  • A plataforma passa a ser corresponsável 
  • A venda sem documento fiscal se torna um risco também para o marketplace

Isso aumenta a pressão para que o imposto seja corretamente destacado e recolhido, reduzindo disputas fiscais e evasão.

A nova responsabilidade solidária afeta a formação de preços

Outro impacto relevante está na formação de preços dos produtos vendidos em marketplaces.

Com maior rigor fiscal:

  • Impostos não poderão mais ser ignorados 
  • Margens precisarão ser recalculadas 
  • Estratégias de preço terão que considerar o IVA

Vendedores que hoje trabalham com preços agressivos baseados em informalidade podem:

  • Perder competitividade 
  • Ver sua margem desaparecer 
  • Operar no prejuízo

A precificação passa a exigir planejamento tributário real, não apenas comparação com concorrentes.

O que muda para quem já atua de forma regular

Para vendedores que já possuem CNPJ, emitem notas fiscais corretamente e mantêm a contabilidade em dia, pouca coisa deve mudar.

Na prática, esses vendedores:

  • Já cumprem as obrigações exigidas 
  • Estarão mais preparados para integrações fiscais 
  • Sofrerão menos riscos de bloqueio ou retenção

A princípio, a nova regra pode até ser positiva, pois reduz a concorrência desleal de quem vendia sem pagar impostos.

Como se preparar para a reforma tributária 2026

Apesar de a responsabilidade solidária começar a ser testada em 2026, a preparação deve começar agora. Veja algumas ações fundamentais:

  • Abrir ou regularizar o CNPJ 
  • Definir corretamente o regime tributário 
  • Emitir nota fiscal em todas as vendas 
  • Revisar a precificação considerando impostos 
  • Integrar vendas e contabilidade 
  • Avaliar margens reais após tributação

Quem deixar para se adaptar apenas quando a regra estiver plenamente em vigor corre o risco de ser excluído das plataformas.

O papel da contabilidade nesse novo cenário

A contabilidade deixa de ser apenas uma obrigação burocrática e passa a ser um elemento estratégico para sobrevivência nos marketplaces.

Uma contabilidade especializada ajuda a:

  • Escolher o melhor regime tributário 
  • Garantir emissão correta de documentos fiscais 
  • Reduzir riscos de autuação 
  • Ajustar preços sem perder competitividade 
  • Preparar a empresa para o IVA Dual

Nesse novo contexto, vender sem apoio contábil passa a ser um risco elevado.

Como a Qualic Contabilidade pode ajudar vendedores de marketplaces

A Qualic Contabilidade acompanha de perto as mudanças da Reforma Tributária e atua de forma estratégica para preparar empresas para o novo modelo.

A Qualic auxilia vendedores de marketplaces com:

  • Abertura e regularização de CNPJ 
  • Planejamento tributário para e-commerce 
  • Adequação às regras do IVA Dual 
  • Organização fiscal e contábil 
  • Análise de impactos na precificação

O objetivo é garantir que o vendedor continue operando com segurança, margem e previsibilidade.

Conclusão

A responsabilidade solidária das plataformas digitais representa uma das mudanças mais relevantes da Reforma Tributária para quem vende em marketplaces.

Embora Mercado Livre e Amazon não sejam automaticamente obrigados a reter impostos, a nova regra cria um ambiente de controle fiscal muito mais rígido, no qual a informalidade deixa de ser tolerada.

Vendedores que não se adaptarem correm o risco de bloqueios, retenções e perda de competitividade. Por outro lado, quem se antecipa, organiza a operação e conta com apoio contábil especializado tende a sair na frente.

A pergunta não é mais se as plataformas vão exigir regularidade fiscal, mas quando e com que rigor. E, nesse cenário, estar preparado é a única estratégia segura.

Conte com o apoio do nosso time de especialistas e prepare a sua empresa para a reforma tributária! Clique aqui e entre em contato conosco!

Compartilhar esse post